A diretora de Comunicações do FMI, Julie Kozack, saudou o cessar‑fogo no Oriente Médio, mas deixou claro que a normalização total do tráfego no Estreito de Ormuz levará tempo, desde que a paz se mantenha. A advertência traduz um risco direto à cadeia logística de energia: custos de frete e seguros podem permanecer elevados enquanto persistir a incerteza.

Segundo Kozack, as expectativas de inflação globais continuam ancoradas, mas os bancos centrais devem permanecer vigilantes diante do choque sobre preços de energia. A avaliação do Fundo sobre a decisão recente do Fed — considerada “apropriada” pela diretora — reforça a ideia de que a política monetária seguirá sensível a novos choques, o que pode custar mais margem de manobra para economias fragilizadas.

O FMI destacou que países africanos com limites fiscais apertados e grandes importadores de energia sofrerão os maiores impactos. No caso do Líbano, a instituição classificou a situação como delicada e não descartou a possibilidade de um programa de reformas acompanhado pelo Fundo, num contexto em que o PIB local deve registrar contração neste ano.

Kozack também citou avanços recentes da Argentina — inflação em queda, reservas sendo reconstruídas e crescimento econômico — e prestou condolências à Venezuela após o terremoto, informando que o FMI monitora as necessidades. Para governos e mercados, a lição é clara: choques de oferta como o de Ormuz acendem alerta sobre a importância de colchões fiscais e reservas para resistir a novas turbulências.