O Fundo Monetário Internacional elevou a previsão de crescimento do PIB brasileiro para 2026 a 1,9%, alta de 0,3 ponto percentual em relação à projeção de janeiro, informou em seu relatório Perspectiva Econômica Global. O aumento, diz o FMI, incorpora um pequeno efeito positivo da guerra no Oriente Médio — estimado em cerca de 0,2 ponto — porque o Brasil é exportador de energia. Ainda assim, a expansão prevista fica abaixo do avanço de 2,3% registrado em 2025, considerado o pior desempenho desde 2020 pelo IBGE.
O cenário do FMI diverge das leituras domésticas: o Banco Central projetou 1,6% em março, enquanto o Ministério da Fazenda mantém uma expectativa mais otimista, de 2,3%. O mercado, medido pelo boletim Focus, estima 1,85%. A heterogeneidade entre instituições expõe nível de incerteza que complica o planejamento econômico e a comunicação do governo sobre o ritmo de recuperação.
Para 2027, contudo, o Fundo piorou a projeção em 0,3 ponto, a 2,0%, citando desaceleração na demanda global, custos mais altos de insumos — incluindo fertilizantes — e aperto nas condições financeiras. O relatório ressalta que reservas internacionais adequadas, baixa exposição da dívida em moeda estrangeira e uma taxa de câmbio flexível são pontos de resistência que ajudam o Brasil a absorver choques externos, mas não eliminam os riscos.
Do ponto de vista político e fiscal, o diagnóstico do FMI tem implicações claras: o suposto ganho externo é temporário e insuficiente para bancar uma recuperação robusta. A combinação de crescimento moderado e custos de produção em alta pressiona receita, investimento e a capacidade do governo de entregar resultados sem ajustes estruturais. Em suma, o número ajustado pelo Fundo reforça a necessidade de medidas que aumentem produtividade e reduzam vulnerabilidades, sob pena de prolongar a estagnação.