O Fundo Monetário Internacional destaca o Pix como um pilar da modernização do sistema financeiro brasileiro, elogiando seu papel na inclusão e na eficiência dos pagamentos. A avaliação consta da revisão do World Economic Outlook, que reconhece ganhos concretos para consumidores e empresas, mas condiciona esse avanço a ajustes institucionais.

O relatório eleva a projeção de crescimento do PIB para 2,4% em 2026, mas acende sinais de alerta macroeconômicos: inflação estimada em 5,6% ao final de 2026, com convergência ao centro da meta só a partir de meados de 2028, e dívida bruta do governo geral prevista em 97,8% do PIB neste ano. Sem ações, o FMI projeta alta da dívida para 106% até 2035 e recomenda um ajuste fiscal de cerca de 3 pontos percentuais do PIB entre 2026 e 2031.

Para viabilizar a ampliação de funções do Banco Central, o Fundo pede reforço imediato no arcabouço legal e no suporte financeiro da autarquia: financiamento adequado das atividades, recomposição do quadro de servidores e modernização do sistema de resolução bancária segundo padrões internacionais. São medidas que exigem recursos e implicam custo político e técnico na agenda do governo.

O diagnóstico combina riscos e oportunidades. A revisão otimista do crescimento apoia‑se na demanda interna resiliente e no papel do país como exportador líquido de petróleo, mas o cenário externo — aumento de tarifas dos EUA e choque sobre preços de energia em caso de escalada do conflito no Oriente Médio — pode pressionar inflação e prêmio de risco. A ratificação do acordo Mercosul‑UE surge como oportunidade para elevar exportações agrícolas, mas o recado do FMI é claro: o prestígio técnico do Pix precisa ser acompanhado por ajustes fiscais e garantias institucionais imediatas.