O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou que a guerra no Oriente Médio terá efeitos distintos sobre a atividade econômica na América Latina, mas fará a inflação subir em todos os países da região. A avaliação, divulgada durante as reuniões de Primavera em Washington, ressalta que, mesmo com dinâmicas domésticas variadas, o choque de preços tem alcance amplo e imediato sobre os custos ao consumidor.
No balanço macroeconômico, o FMI ajustou para cima a previsão de crescimento da região para 2,3% em 2024 e manteve 2,7% para 2025. O Brasil aparece com projeção de avanço do PIB de 1,9% este ano, com melhora em relação às estimativas anteriores. Países produtores de petróleo — entre eles Brasil, Argentina, Colômbia, Equador e Guiana — recebem um alívio temporário com preços mais altos, que fortalecem balanço de pagamentos e receitas fiscais.
O organismo, contudo, chama atenção para o duplo efeito: ganhos nas contas externas não protegem as camadas mais pobres do aumento dos preços de alimentos e energia. Mudanças nos fluxos de capital e maior aversão ao risco elevam a pressão sobre bancos centrais e cofres públicos. A recomendação é clara: preservar a credibilidade das políticas monetária e fiscal para atravessar o choque sem gerar surpresas negativas nos mercados.
A advertência do FMI acende alerta para governos e legisladores. Para países como o Brasil, o vento favorável das commodities não elimina a necessidade de disciplina fiscal, respostas bem calibradas no campo monetário e proteção dirigida às famílias mais afetadas. Sem isso, a valorização temporária das receitas pode se transformar em vulnerabilidade política e econômica diante de custos reais para a população.