O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo as perspectivas da zona do euro: o crescimento deve cair para 1,1% em 2024, abaixo da projeção de janeiro (1,3%), e seguirá mais modesto em 2025. O relatório destaca que, mesmo com um fim rápido da guerra do Irã previsto até meados de 2026, os impactos já acumulados — especialmente pela dependência energética — reduziram o dinamismo industrial do bloco.
A inflação, que esteve em 2,1% no ano passado, tende a subir para 2,6% em 2026 segundo o cenário básico do FMI, pressionada pelos custos de energia e pela valorização real do euro frente a moedas de concorrentes. Em resposta, o FMI projeta um aumento de 50 pontos-base na taxa de depósito do BCE ao longo de 2026, um movimento já precificado pelos mercados e que elevará o custo do crédito.
Do lado fiscal, um aumento planejado dos gastos com defesa oferece algum suporte à atividade, mas o FMI ressalta que a execução é lenta e o impulso tenderá a surgir mais tardiamente. A combinação de aperto monetário e custos de energia mais altos cria um ambiente menos favorável a investimento e pode agravar a fragilidade de setores intensivos em energia e de governos com espaço fiscal limitado.
O relatório também lembra que cenários adversos ou graves apontam para impactos bem maiores sobre crescimento e inflação. Para autoridades e mercados, o diagnóstico do FMI acende um alerta: será preciso coordenar política econômica, priorizar eficiência nos gastos e avaliar medidas de proteção para empresas e famílias sem abrir mão da credibilidade monetária.