O governo interino da Venezuela anunciou a liberação de US$ 346 milhões em reservas que estavam congeladas no Fundo Monetário Internacional para enfrentar a emergência causada pelos fortes terremotos de 24 de junho. Em publicação no Telegram, a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que os recursos serão destinados ao processo de recuperação e reconstrução, incluindo moradia, infraestrutura e serviços essenciais.
A movimentação foi precedida por negociações com o FMI: a porta-voz da instituição afirmou, em 9 de julho, que havia entendimento para facilitar o uso das reservas venezuelanas como fonte de liquidez imediata para necessidades humanitárias. Segundo autoridades locais, os tremores já deixaram pelo menos 5.069 mortos e 17.907 desabrigados; o PNUD estima que o impacto econômico do desastre represente cerca de 6% do PIB do país.
A liberação dos fundos ocorre num contexto de reaproximação institucional: a relação da Venezuela com o FMI estava suspensa desde 2019 e foi retomada em 16 de abril, após eventos que alteraram o cenário político do país. Desde que assumiu a presidência interina, Rodríguez buscou restabelecer laços com outros países e atrair investimentos, e agradeceu publicamente à diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, pelo apoio.
Embora a medida alivie a resposta imediata à tragédia, especialistas e observadores destacam que o uso de reservas internas coloca pressão sobre as contas públicas e levanta a necessidade de maior transparência na aplicação dos recursos. A reconstrução exigirá mais do que liquidez emergencial: haverá impacto orçamentário, demandas por supervisão técnica e risco de sequelas econômicas em um país já fragilizado.