O FMI projetou que o Banco Central Europeu deverá elevar a taxa básica em cerca de 50 pontos-base em 2026, segundo Alfred Kammer, chefe do Departamento Europeu do fundo. A atual taxa do BCE está em 2% e a sinalização do FMI antecipa duas elevações ainda este ano antes de um possível recuo em 2027.
Kammer destacou que a resposta do BCE foi dificultada pelo caráter do choque: trata‑se de uma escassez de oferta — decorrente, segundo a análise citada, do fechamento do Estreito de Ormuz no contexto do conflito — e não de um aquecimento de demanda. Choques de oferta elevam preços de energia, deprimem atividade e tornam a política monetária mais complexa.
Do ponto de vista técnico, o FMI diz que manter os juros reais exigirá um ajuste marginal da taxa nominal. Ao mesmo tempo, sublinha a elevada incerteza dos modelos: a recomendação é baseada no ponto atual e pode mudar conforme a evolução das expectativas de inflação e dos dados econômicos. A âncora das expectativas europeias, por ora, continua relativamente firme, mas exige vigilância para evitar efeitos de segunda ordem.
Politicamente e economicamente, a combinação de inflação impulsionada por energia e juros mais altos cria um dilema: proteger a credibilidade anti‑inflacionária do BCE pesa contra o custo sobre crescimento, endividamento público e bolsos das famílias. A advertência do FMI acende alerta para governos europeus sobre a necessidade de espaço fiscal e medidas de curto prazo que mitiguem o impacto das perturbações no suprimento energético.