O Fundo Monetário Internacional advertiu que os governos europeus não devem proteger de forma ampla empresas e consumidores contra a alta dos preços de energia. Para o FMI, intervenções generalizadas distorcem o sinal do preço — que é necessário para reduzir o consumo — e podem sair muito caras para as contas públicas, comprometendo espaço fiscal.
A instituição destaca que, se houver apoio, ele precisa ser mais bem direcionado. Em crises anteriores, grande parte do gasto foi pouco focalizado: o custo médio do pacote energético chegou a cerca de 2,5% do PIB, e boa parte beneficiou famílias ricas que consomem mais. Segundo o FMI, transferências fixas e específicas às camadas vulneráveis teriam reduzido muito esse ônus, aproximando o impacto a patamares menores do PIB.
O alerta chega num momento de forte exposição europeia a choques externos, em especial após perturbações na rota do Estreito de Ormuz e episódios recentes que elevaram preços de petróleo e gás. A Comissão Europeia avalia permitir maior uso de recursos públicos para socorrer empresas afetadas por combustíveis e fertilizantes, mas o FMI ressalta que isso enfraquece o incentivo ao ajuste de demanda.
Além da pressão imediata sobre preços, os países europeus enfrentam desafios fiscais de longo prazo — com maiores gastos em defesa, saúde e pensões — estimados pelo FMI em cerca de 5% do PIB até 2040. A recomendação é clara: medidas temporárias precisam de prazo determinado, foco nos vulneráveis e cuidado para não ampliar o custo político de uma correção fiscal futura.