O Fundo Monetário Internacional encerrou sua Consulta do Artigo IV apontando que, embora a economia do Reino Unido mantenha elementos de resiliência, as tensões no Oriente Médio reduziram as perspectivas de curto prazo. A projeção de crescimento foi revista para 1,0% em 2026, abaixo da estimativa pré-conflito de 1,4%, com recuperação gradual projetada para 1,3% em períodos subsequentes. A inflação geral deve atingir um pico acima de 3,5% até o fim deste ano e depois convergir à meta de 2% no fim do próximo ano.

No diagnóstico do Fundo, a transmissão para o núcleo da inflação será contida por um mercado de trabalho mais frouxo, crescimento salarial lento e uma lacuna negativa de produção. Ainda assim, o FMI recomenda que a política monetária permaneça "suficientemente restritiva" para conter efeitos secundários dos preços de energia, deixando claro que decisões futuras dependerão dos dados, diante de elevada incerteza.

O relatório enfatiza também riscos inclinados para o lado negativo: se interrupções no fornecimento de energia persistirem, a pressão inflacionária pode ser maior, forçando um aperto adicional de política que elevaria o custo do crédito e desaceleraria ainda mais o crescimento. Para o governo liderado por Rachel Reeves, que recebeu respaldo do FMI às escolhas recentes, os números representam um dilema político e econômico: manter credibilidade anti-inflacionária sem sacrificar o já reduzido dinamismo do crescimento.

Na prática, o diagnóstico do Fundo complica a narrativa governista e aumenta a necessidade de medidas coordenadas entre políticas monetária e fiscal. Os próximos movimentos do Banco da Inglaterra, a evolução dos preços de energia e o comportamento dos salários serão determinantes. As projeções do FMI são um retrato do momento, mas servem como aviso de que a margem de manobra para sustentar o crescimento sem custos adicionais está mais estreita.