O Fundo Monetário Internacional reduziu de forma expressiva a previsão de crescimento para a região do Oriente Médio e Norte da África, citando diretamente os efeitos da guerra entre Irã e seus vizinhos do Golfo. No último relatório Perspectiva Econômica Mundial, a projeção para 2024 caiu para 1,1%, uma revisão de 2,8 pontos percentuais em relação à estimativa de janeiro. O recuo reflete uma combinação de danos a ativos energéticos, queda na produção e interrupções logísticas que atingem vitais fluxos de petróleo e gás.
O FMI avisa que a recuperação projetada para 4,8% em 2027 pressupõe a normalização da produção e do transporte de energia nos próximos meses — hipótese que já aparece como frágil. Ataques atribuídos a Teerã e represálias então deflagraram danos em instalações e restringiram a navegação pelo Estreito de Ormuz, corredor que responde por cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e GNL. A consequência imediata foi um corte nas exportações e um aumento de pressões inflacionárias tanto locais quanto globais.
Entre países afetados, o relatório destaca descompressão nas previsões: a Arábia Saudita, embora menos atingida que alguns vizinhos, vê sua estimativa baixar para 3,1% em 2026 (1,4 p.p. abaixo do estimado em janeiro). Para o Irã, o FMI projeta uma contração de 6,1% no ano fiscal que começou em 21 de março, seguido por retomada de 3,2% no ano seguinte — cenário bastante distinto do crescimento de 1,1% que se esperava antes da escalada do conflito. Barein, Iraque, Kuwait e Catar também devem registrar queda de atividade neste ano, segundo o Fundo.
O efeito prático para a economia global é claro: menos oferta e rotas mais arriscadas elevam prêmios de risco, pressionam preços de energia e complicam o combate à inflação. Para governos exportadores, a perda de receitas traz desafio fiscal e necessidade de ajustes orçamentários; para importadores, aumenta a conta de combustíveis e a volatilidade nas cadeias. A falha nas negociações entre EUA e Irã no fim de semana e o bloqueio americano a portos iranianos são lembrados pelo FMI como fatores que ampliam o risco de revisão adicional das projeções. O Fundo publicará uma visão regional mais ampla em 16 de abril — um termômetro do quanto o conflito seguirá moldando a economia global.