O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (15), elevou a projeção do IPCA para 5,30% em 2026, ante 5,11% da semana anterior — marca que representa a 14ª semana consecutiva de alta nas expectativas. As projeções para 2027 e 2028 também subiram, para 4,10% e 3,68%, respectivamente. No mesmo boletim, o mercado aumentou em 15 pontos base a estimativa da Selic para o fim de 2026, agora em 13,75%.
A persistente revisão para cima das previsões de inflação complica a agenda de afrouxamento monetário. O Focus registra expectativa de cortes modestos — 0,25 p.p. já na reunião do próximo dia 17 e novo recorte em agosto, projetando a taxa em 14,00% nesse horizonte —, mas o movimento dos preços mantém pressão para a manutenção de juros elevados por mais tempo. Para o mercado, a combinação de inflação resilient e incertezas externas, como o conflito no Oriente Médio, tornou mais cautelosa a leitura sobre espaço para redução rápida dos juros.
Além de juros, o boletim mostrou leve ajuste para o PIB de 2026 — agora em 1,96%, 0,05 p.p. acima da projeção anterior — e elevação do câmbio esperado para este ano, de R$ 5,15 para R$ 5,20, com estimativas de R$ 5,25 para 2027 e R$ 5,30 para 2028. Esses números apontam para um cenário em que crescimento modesto e câmbio mais alto podem agravar a inflação de bens e serviços importados, pressionando o consumo e reduzindo a folga para a política econômica.
Politicamente, a sequência de revisões para cima das expectativas de preços e juros significa custo real: menor espaço para medidas de estímulo, aperto adicional sobre contas públicas por causa do custo da dívida e risco de desgaste para o governo se a inflação corroer rendimento e demanda. O relatório Focus serve como retrato do momento — não uma previsão definitiva — e acende alerta sobre a necessidade de coordenação mais clara entre política monetária e fiscal para evitar que as expectativas elevadas se cristalizem em um ciclo mais caro para a economia e para o eleitor.