O mercado interrompeu a sequência de 15 semanas de altas nas projeções para o IPCA, mas a mudança é mais de estabilidade do que de conforto: a expectativa para a inflação de 2026 ficou em 5,33%, igual à da semana anterior, muito acima do centro da meta de 3% (com tolerância de 1,5 ponto percentual). A permanência desse patamar indica que a inflação continua a se distanciar do objetivo oficial.
No front da política monetária, as projeções também permaneceram estáveis: a Selic é estimada em 14% para o fim deste ano, com 12% para 2027 e 10,5% para 2028. O mercado ainda vê um movimento de corte modesto — 0,25 ponto percentual previsto para agosto —, mas a taxa real elevada e a inflação acima da meta limtam a margem para reduções mais rápidas, com impacto direto sobre crédito, consumo e investimento.
O boletim manteve expectativas cambiais relativamente estacionadas: R$ 5,20 para encerrar 2026, com leves altas previstas para 2027 e 2028 (R$ 5,28 e R$ 5,35). No horizonte do crescimento, o PIB de 2026 recebeu uma leve revisão para 1,99% (alta de 0,01 p.p.), enquanto a projeção para 2027 caiu para 1,68%, sinalizando um cenário de crescimento modesto que não alivia as pressões sobre emprego e arrecadação.
Para o governo e para formuladores de política econômica, o recado do Focus é claro: a interrupção das altas não troca o quadro de persistência inflacionária. Os números restringem opções de afrouxamento monetário e mantêm pressão sobre as contas públicas e sobre a percepção do mercado — um retrato do momento, não uma previsão imutável, que exige resposta coordenada entre política fiscal e monetária.