O boletim Focus, compilado pelo Banco Central a partir de projeções do mercado, elevou pela nona semana seguida a estimativa para a inflação do próximo ano. A projeção para o IPCA em 2026 avançou de 4,89% para 4,91% (alta de 0,02 ponto percentual), mantendo-se perto de 5% e claramente acima do teto da meta de 3% perseguida pelo BC. A sequência de revisões para cima sinaliza uma tendência persistente, não apenas flutuações temporárias de expectativas.
Os analistas mantiveram inalterada a projeção da taxa Selic para 2026, em 13% ao ano, pela terceira divulgação consecutiva. Para 2027, a expectativa subiu 0,25 ponto, para 11,25%, enquanto 2028 segue estimada em 10%. Juros elevados por um horizonte prolongado traduzem custo real para famílias e empresas, freiam consumo e investimento e pressionam o serviço da dívida pública — fatores que condicionam margem de manobra fiscal e o crescimento econômico.
No câmbio, a mediana das projeções recuou levemente a R$ 5,20 para 2026 (queda de 0,05), movimento insuficiente para contrariar a tendência inflacionária apontada. As previsões para o PIB permaneceram estáveis em 1,85% para 2026, com ligeiro ajuste em 2027 (1,76%) e 2% em 2028, indicando um cenário de crescimento modesto que convive com inflação acima do desejável e juros ainda altos.
O diagnóstico do mercado, repetido há semanas, acende um alerta para a equipe econômica: a persistência de pressões inflacionárias eleva o custo político e econômico de manter juros elevados e exige clareza sobre a estratégia fiscal. Nos próximos relatórios, a leitura das expectativas será crucial para avaliar se a inflação começa a ceder de forma consistente ou se as revisões continuam a corroer o espaço de política pública e a capacidade de recuperação do crescimento.