A combinação entre dívida pública elevada e uma carga tributária que supera a de pares emergentes deixou o Brasil em posição vulnerável, segundo avaliação do economista Gabriel Barros. Na entrevista citada, Barros resume o problema como uma fragilidade fiscal estrutural que reduz o campo de manobra do governo para enfrentar o crescimento da inadimplência entre famílias e empresas.
Dados recentes da Serasa apontam que a inadimplência cresceu ao longo da última década e chega a níveis preocupantes, pressionando tanto o sistema financeiro quanto a política econômica. Para Barros, esse quadro ganha contornos ainda piores porque o país parte de um patamar de dívida que está cerca de 25 pontos percentuais do PIB acima da média dos emergentes — um diferencial que encarece qualquer tentativa de estímulo ou de reestruturação do crédito sem custos elevados.
Além do estoque de dívida, o economista chama atenção para a credibilidade das regras fiscais. Gastos fora das normas e a falta de coordenação efetiva entre política fiscal e monetária minam a confiança do mercado e limitam instrumentos que o governo poderia usar para aliviar o endividamento das famílias, como transferências direcionadas ou reformas tributárias que aliviem a renda disponível.
O diagnóstico tem implicações políticas e institucionais claras: um desenho fiscal fragilizado aumenta o preço político de medidas necessárias, reduz a margem para respostas anticíclicas e intensifica pressões sobre a gestão econômica. Em termos práticos, a combinação de alto endividamento privado, critérios fiscais frouxos e menor espaço fiscal tende a tornar mais lenta e custosa a recuperação do consumo e do crédito, exigindo decisões difíceis do Executivo e do Congresso.