A ministra do Desenvolvimento da França, Eleonore Caroit, fez um apelo público ao Banco Mundial para que resista à pressão do seu maior acionista, os Estados Unidos, e mantenha a meta de destinar 45% dos recursos anuais de crédito a projetos relacionados ao clima. A exigência dos EUA, segundo fontes e declarações oficiais, é que o banco priorize novamente empréstimos considerados de “desenvolvimento básico”, incluindo a retomada de financiamentos a projetos com combustíveis fósseis.

O Plano de Ação contra as Mudanças Climáticas (CCAP) já teve uma prorrogação de um ano, mas segue sem substituto claro, o que preocupa acionistas europeus. Em outubro passado, 19 dos 25 principais acionistas assinaram uma declaração favorável à continuidade das metas climáticas; os diretores que representam EUA, Japão, Índia, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait se abstiveram de apoiar o documento, sinalizando um racha visível entre os donos do banco.

Em resposta, o Banco Mundial afirmou estar em diálogo ativo com os acionistas sobre os próximos passos, destacando foco em “desenvolvimento inteligente e resultados concretos”. A divergência, porém, tem implicações práticas: um recuo nas metas climáticas pode reduzir recursos para resiliência e mitigação em países vulneráveis, elevar riscos para investidores e comprometer a credibilidade institucional em um momento de aumento de desastres ligados ao aquecimento global — um ponto que Caroit lembrou ao citar atrasos de trem causados por ondas de calor.

Para governos europeus e outras nações que defendem ambição climática, a batalha será política e técnica nas próximas reuniões do Banco Mundial e do FMI. A disputa expõe uma tensão entre prioridades de curto prazo por crescimento e infraestruturas tradicionais e a necessidade de investimentos que reduzam riscos futuros. A decisão do banco terá efeitos concretos: moldará fluxo de capitais, a capacidade de adaptação de países pobres e a percepção sobre se a instituição pretende liderar ou recuar diante das pressões geopolíticas.