A defesa da chamada "função social" das estatais voltou a ser colocada no centro do debate por Elena Landau, em entrevista ao CNN Prime Time. Para a economista, esse argumento tem servido como um cobertor para problemas recorrentes de gestão e fragilidades financeiras em empresas públicas, deslocando o foco da eficiência e do custo real para a retórica política.
Landau citou os Correios como o exemplo mais emblemático: além dos déficits sucessivos, a estatal acumula endividamento que, segundo ela, pode tornar a privatização inviável e impor um peso extra ao Tesouro. O empréstimo mencionado — entre R$ 12 bilhões e potencialmente R$ 20 bilhões — aponta para um rombo cuja quitação é duvidosa, com impacto direto sobre o resultado primário e a folga fiscal do governo.
A economista também criticou a perda de valor da própria marca dos Correios, resultado de gestão deficiente que afeta serviço e percepção pública. Landau defende que a proteção da função social não pode significar desperdício: se houver venda, ela deve ocorrer por edital que imponha obrigações de universalização e serviço, como ocorreu em outros setores regulados.
O cenário traçado por Landau tem implicações políticas e fiscais claras. Se não houver comprador interessado, a alternativa será transformar a estatal em encargo permanente do Tesouro, elevando a competição por recursos públicos. A ausência de respostas do governo e decisões como a reversão do processo de liquidação da Ceitec reforçam o diagnóstico de dispersão de estratégia na gestão das empresas públicas.