A Oncoclínicas anunciou nesta quinta-feira a renúncia de Bruno Ferrari — fundador e ex-CEO do grupo — aos cargos de membro e vice-presidente do Conselho de Administração. A saída ocorre no contexto de uma reestruturação financeira mais ampla: a companhia enfrenta falta de liquidez e elevado endividamento, situação que já levou à renúncia do ex-presidente do Conselho, Marcelo Gasparino, e à subsequente destituição dos demais membros do órgão.
Segundo a empresa, a renúncia de Ferrari integra as condições negociadas para viabilizar uma linha de crédito entre R$100 milhões e R$150 milhões, liderada pela gestora MacCapital. Os recursos estarão direcionados prioritariamente à compra de medicamentos e à manutenção da operação, medida que a companhia considera essencial enquanto tenta reorganizar sua estrutura financeira e operacional.
O movimento expõe, contudo, um reposicionamento claro do poder de decisão: a entrada do financiamento sob tutela da MacCapital tende a ampliar a influência do credor sobre o conselho e as diretrizes da empresa. Para mercado, fornecedores e credores, a troca de liderança no Conselho é um sinal de fragilidade que exige maior transparência sobre garantias, cláusulas do empréstimo e o plano de recuperação de caixa.
A nova composição do Conselho será decidida em assembleia marcada para 30 de abril, quando deverão ser definidas as próximas etapas da reestruturação. Para investidores e analistas, o foco agora está nos termos do acordo com a MacCapital e na capacidade da Oncoclínicas de traduzir o financiamento emergencial em um plano sustentável de redução de endividamento — sem o qual a crise de liquidez tende a persistir.