Brasília, DF – O economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, divulgou nesta segunda-feira (2) um texto de 11 páginas em que celebra o fim do “pensamento único” no debate econômico e rejeita medidas que qualificou como “austeridade contra o eleitor”. No documento, ele destaca propostas de André Lara Resende para criar um mecanismo mais amplo de coordenação entre política monetária e fiscal.

A publicação reacendeu especulações sobre o papel de Lara Resende após o colunista Lauro Jardim noticiar, no domingo (1º), que Lula poderia se reunir com o economista. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou a agenda: “É um tema fático. Não existe agenda marcada entre o presidente Lula e André Lara Resende. Não é uma questão de ser contra ou a favor. Não tem” e acrescentou que “Não estamos discutindo nenhuma proposta do André Lara Resende para levar ao presidente”.

Merece atenção especial a proposta de André Lara Resende de criação de um mecanismo mais amplo do que o CMN [Conselho Monetário Nacional] para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil. O pior dos mundos é a situação de conflito de objetivos entre as duas políticas no curto prazo

Alguns trechos do debate público têm lado político. A ex-ministra Gleisi Hoffmann classificou o artigo de Lara Resende como “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista” dos mercados. Por sua vez, o presidente do PT, Edinho Silva, procurou blindar a condução econômica do governo: “As especulações na área econômica não colaboram com o país, e só fazem o jogo dos especuladores, dos oportunistas do mercado, aqueles que apostam contra o governo Lula, contra o futuro do país. O único que fala em nome do governo Lula na política econômica é o ministro Dario Durigan.”

No texto intitulado “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027 - Poucas lições tiradas do programa eleito com o presidente Lula”, Gabrielli minimiza riscos de solvência apesar da alta da dívida bruta para quase 83% do PIB e afirma dar mais atenção ao endividamento líquido, citado em 69,3% do PIB. Ele também ressalta que mais de 90% da dívida está em moeda nacional e lembra as reservas cambiais como elemento de contenção do risco, defendendo que o debate sobre progressividade tributária, novas institucionalidades e até mecanismos heterodoxos, como tabelamento de juros, é positivo para a democracia.