O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reiterou nesta segunda-feira que a iniciativa para indicar nomes à diretoria da instituição é do presidente da República. Há duas vagas em aberto desde o início do ano e, segundo Galípolo, cabe ao Executivo decidir o momento e os nomes a serem encaminhados ao Senado.
Na mesma ocasião, o chefe do BC agradeceu o trabalho dos diretores que têm acumulado funções enquanto a situação não é resolvida. Paulo Picchetti, que responde por Assuntos Internacionais e pela Política Econômica, comentou em tom de brincadeira sobre a sobrecarga, mas ressaltou que nem salários nem votos foram acrescidos por acumulação de cargos.
O episódio expõe um custo operacional concreto: a continuidade do trabalho tem sido mantida, mas a sobreposição de atribuições aumenta o desgaste interno e pode pressionar equipes-chave em áreas sensíveis como a formulação e comunicação da política monetária. A sinalização pública do presidente do BC deixa claro que a responsabilidade institucional pela indicação não cabe ao próprio Conselho.
Politicamente, a demora em encaminhar as nomeações recrudesce o tipo de desgaste que o Planalto costuma evitar: além da pressão interna por estabilidade administrativa, há custo simbólico ao postergar escolhas para cargos técnicos. O Senado permanece como última etapa formal do processo; até lá, o BC seguirá operando com arranjos temporários.