O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que os gastos com construção avançaram 0,6% em março, desfazendo a retração de 0,2% registrada em fevereiro e superando a mediana das previsões de mercado, que apontavam para alta de 0,2%. Em base anual, o indicador cresceu 1,6%, reflexo, sobretudo, do desempenho do segmento residencial.

O investimento em projetos privados subiu 0,8% no mês, com a construção residencial elevando-se 1,7% e os novos projetos de moradias unifamiliares crescendo 2,7%. As unidades multifamiliares, parcela menor do mercado, avançaram apenas 0,3%. Apesar do ganho mensal, o investimento residencial acumula queda por cinco trimestres consecutivos, sinalizando que a recuperação ainda é frágil.

No outro extremo, os gastos com estruturas privadas não residenciais recuaram 0,2% em março, registrando o nono trimestre seguido de contração — a série mais longa já registrada. Embora a demanda por centros de dados tenha crescido para suportar projetos de inteligência artificial, esse aumento não compensou a queda generalizada em escritórios e indústrias.

Analistas apontam elementos que limitam uma recuperação mais robusta: taxas hipotecárias elevadas, alimentadas em parte por pressões inflacionárias relacionadas a fatores geopolíticos, e custos maiores decorrentes de tarifas sobre insumos. O quadro deixa claro que o avanço recente é pontual e que juros e custos comerciais continuam a operar como freios, o que acende alerta para a capacidade do setor de sustentar emprego e investimento na construção.