O Governo do Distrito Federal tem até 28 de maio de 2026 para exercer o direito de preferência na subscrição das novas ações do BRB e manter-se como acionista majoritário. O conselho do banco aprovou um aumento de capital que dá aos atuais sócios prioridade proporcional à participação vigente — hoje o Palácio do Buriti detém 53,71% do capital social.
O preço por ação foi fixado em R$ 5,36, acima do fechamento do pregão de 23 de abril (R$ 4,99). Fontes ouvidas indicam que, caso o GDF opte por subscrever na proporção total de sua participação, o aporte exigido pode ficar entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões — cifra ainda sujeita à movimentação dos demais acionistas. O aumento total aprovado pode chegar a R$ 8,8 bilhões, elevando o capital social do banco dependendo do exercício das subscrições.
A estratégia do governo esbarra, porém, em um nó jurídico: o desembargador Rômulo de Araújo Mendes, do TJDFT, suspendeu trechos da lei distrital que autorizavam o uso de bens públicos como garantia para capitalizar o BRB, em atendimento a pedido do MPDFT. O GDF também solicitou ao FGC um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, com propostas de garantias que incluíam imóveis e participações em empresas públicas — opções hoje questionadas na Justiça.
O cenário impõe ao Buriti uma decisão de alto custo político e fiscal num prazo curto. Não subscrever integralmente pode reduzir gastos imediatos, mas aumentar a participação de outros investidores e diluir o controle do governo. Subscrever sem garantias claras ou sem consenso jurídico amplia a exposição do patrimônio público e cria dilemas sobre responsabilidade fiscal. A opção do GDF até 28 de maio terá reflexos diretos na composição acionária do BRB e na narrativa de gestão do governo local.