GDF e União voltarão a se reunir nesta quinta-feira (28), às 10h, no Supremo Tribunal Federal, numa tentativa de selar um acordo para viabilizar uma operação de crédito destinada a sanar a crise de liquidez do Banco de Brasília (BRB). A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, que tem a relatoria do processo aberto pelo governo distrital em 19 de maio.

A proposta em discussão prevê que o empréstimo seja operacionalizado com recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), garantido por um sindicato formado por bancos públicos e privados, enquanto o Distrito Federal ofereceria como contragarantia o fluxo de receitas futuras. Após a primeira audiência, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiantou que a União deve flexibilizar critérios do Plano de Ajuste Fiscal (PAF) — atualmente limitados a R$ 900 milhões por operação — para que um empréstimo de maior vulto seja possível. Durigan também classificou o cenário como "grave".

O caso tem antecedentes que explicam a urgência: em março de 2025 o conselho do BRB aprovou a compra de 58% do Banco Master, negócio que acabou vetado pela diretoria do Banco Central por riscos financeiros e regulatórios. Em novembro de 2025 a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, ligada à venda de títulos de crédito falsos, com prisões e afastamentos que atingiram o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Uma nova fase da operação levou à detenção de Costa em abril.

A negociação no STF traz dilemas claros: ao mesmo tempo em que um socorro pode evitar contágio financeiro e proteger clientes e servidores, a flexibilização do PAF e o uso de recursos públicos levantam questões sobre disciplina fiscal e risco moral. A União e o GDF precisam equilibrar a urgência de recompor liquidez do banco com a necessidade de preservar regras fiscais e responsabilização pelos eventuais atos ilícitos hoje sob investigação — recursos recuperados nas apurações, segundo a equipe econômica, deveriam recompor cofres do GDF e do próprio BRB. O desfecho terá impacto político imediato para a governadora Celina Leão e para a capacidade do governo federal de conciliar proteção ao sistema financeiro e rigor fiscal.