Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que 50% dos entrevistados consideram o Desenrola 2.0 uma boa ideia, contra 23% que avaliam a iniciativa como ruim por estimular novo endividamento. Outros 22% veem ajuda parcial e 5% não souberam responder. Sobre a eficácia prática, 38% dizem que o programa ajudará muito, 27% pouco e 33% creem que não terá efeitos concretos. O levantamento foi realizado entre 8 e 11 de maio, com 2.004 entrevistas presenciais e margem de erro de dois pontos, registrado no TSE (BR-03598/2026).
A nova etapa amplia o público elegível (renda de até cinco salários mínimos) e permite renegociação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com descontos entre 30% e 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses. Na esfera política, a medida entrega benefício simbólico ao governo: metade da população vê mérito na iniciativa e a contrapartida mais impopular — a proibição temporária de apostas online para beneficiários — tem apoio maciço de 79% contra 16% contrários.
Mesmo com aprovação majoritária, os dados expõem limites: o núcleo dos que duvidam da efetividade (33%) e os que temem estímulo a novo endividamento (23%) representam um vetor de crítica plausível. O resultado amplia pressão para que o governo apresente critérios claros de seleção, acompanhamento dos resultados e medidas complementares — educação financeira e incentivo à recuperação de crédito — para evitar que o alívio se transforme em adiação de problemas estruturais.
Do ponto de vista eleitoral, o levantamento é um retrato — não uma previsão —, mas sinaliza vantagem política imediata ao Executivo. Ao mesmo tempo, cria expectativa pública por resultados mensuráveis. Se o programa falhar em reduzir o endividamento de forma sustentável, tende a cobrar preço político e ampliar desgaste. A margem de erro de dois pontos recomenda cautela na leitura, mas a tendência é clara: há espaço político, porém condicionado à entrega de efeitos concretos.