A Gerdau encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,013 bilhão, avanço de 33,6% sobre igual período de 2025, e um Ebitda ajustado de R$ 2,958 bilhões, alta de 23,2%. O resultado vem em um cenário internacional que a própria companhia descreve como volátil, com tensões geopolíticas afetando mercados de commodities e cadeias de suprimentos.
Ao mesmo tempo, a receita líquida recuou 3,8%, para R$ 16,716 bilhões. O contraste entre lucro e queda de receita sugere melhora de margens ou ganhos operacionais que não se traduzem necessariamente em aumento de volume de vendas — ponto que merece atenção dos analistas ao detalhar fontes do ganho de rentabilidade.
Os investimentos em Capex totalizaram cerca de R$ 1,1 bilhão no trimestre, o equivalente a 23% do previsto para o ano; 43% desse montante foi para manutenção e 57% para aumento de competitividade. A concentração de 84% do Capex no Brasil reforça um foco doméstico que pode blindar parte da exposição externa, mas também vincula o desempenho futuro à economia interna e ao ciclo da construção e indústria locais.
No balanço financeiro, a Gerdau fechou o trimestre com R$ 5,6 bilhões em caixa e dívida líquida de R$ 8,2 bilhões, resultando em uma relação dívida líquida/Ebitda de 0,74 vez — nível que a companhia classifica como confortável. A combinação entre desalavancagem e geração de caixa amplia a capacidade para manobras estratégicas (pagamento de dívida, investimentos ou retorno ao acionista), mas a sustentação do desempenho dependerá da evolução das receitas em um mercado global ainda incerto.