A Gerdau prevê recuperação de margens nas operações brasileiras nos próximos trimestres, mas admite que o efeito combinado de fretes, gás natural e eventual alta do carvão deve pesar nas contas antes que a melhora se consolide. No primeiro trimestre, a margem EBITDA no Brasil foi de 9,2%, acima dos 7,1% do final do ano passado, mas ainda distante dos 14,6% registrados no início de 2025 e muito abaixo dos 24,1% das operações nos Estados Unidos.
Executivos da companhia afirmaram que negociações com fornecedores têm sido «árduas» e que a alta dos fretes — que representa entre 9% e 12% do custo de vendas no país — e o aumento global do petróleo vêm elevando custos imediatos. O vice-presidente financeiro destacou também o uso de gás no reaquecimento do aço como uma fonte direta de pressão nos próximos meses.
Há, além disso, um efeito retardado do carvão: pedidos feitos com antecedência e um lead time de 90 a 180 dias significam que aumentos de preço internacional tendem a se traduzir nas contas da Gerdau com atraso. A empresa citou fretes internacionais entre Brasil e Ásia subindo na faixa de 20% a 30%, o que pode elevar a estrutura de custos quando os volumes encomendados começarem a transitar.
Para recuperar rentabilidade, a companhia aposta em três alavancas: reajuste de preços, contenção de custos e proteção comercial. Gerdau tem pedido medidas antidumping sobre diferentes produtos — já houve ações recentes sobre aços planos e há expectativa por decisões sobre laminados a quente e fio máquina entre o fim de junho e início de julho — e chegou a sinalizar revisão de investimentos no país caso não houvesse defesa comercial.
O recado é político e econômico: margens comprimidas forçam a empresa a pressionar por barreiras comerciais e por espaço para aumentar preços, enquanto mantêm um nível elevado de investimento local — no trimestre, o Brasil concentrou 84% dos R$ 1,1 bilhão desembolsados pelo grupo. Se as medidas esperadas demorarem ou vierem atenuadas, a tendência é de maior pressão sobre preços domésticos e sobre a capacidade de remunerar o capital no país.