O Goldman Sachs registrou lucro líquido de US$ 5,294 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro diluído por ação subiu para US$ 17,01, bem acima da previsão média da FactSet de US$ 12,90, e a receita líquida alcançou US$ 18,679 bilhões, 23% superior ano a ano e também acima das estimativas. O banco anunciou ainda dividendo trimestral de US$ 5 por ação, com pagamento previsto para 30 de dezembro — combinação que favorece acionistas e reforça a política de retornos.
A força do resultado veio sobretudo da divisão de banco e mercados globais, cuja receita cresceu 32%, para US$ 13,458 bilhões. Operações com ações tiveram desempenho excepcional — receita saltou 72%, para US$ 6,441 bilhões — e as taxas de banco de investimento avançaram 21%, rumo a US$ 3,224 bilhões, apoiadas por maior volume de fusões, aquisições e ofertas de ações. Na gestão de ativos e patrimônio, a receita subiu 14%, para US$ 5,051 bilhões, impulsionada por maiores taxas de administração e de incentivo.
Apesar do quadro positivo, o balanço mostra sinais de atenção: as despesas operacionais aumentaram 20%, para US$ 11,308 bilhões, e as provisões para perdas de crédito cresceram para US$ 368 milhões, ante US$ 339 milhões no 3º trimestre de 2025 e US$ 102 milhões no trimestre anterior. O próprio banco atribuiu parte desse movimento a perdas relacionadas a empréstimos corporativos — um detalhe que reduz a clareza do otimismo e acende um alerta sobre a qualidade da carteira de crédito empresarial em um ambiente ainda volátil.
O resultado posiciona o Goldman como protagonista da retomada de atividade em mercados e operações de investimento, mas também impõe contrapontos: o avanço das despesas e o aumento das provisões pressionam a eficiência e obrigam a gestão a equilibrar crescimento de receita com controle de risco. Para investidores, o balanço reforça apetite por retorno; para reguladores e analistas, indica necessidade de acompanhar exposição a crédito corporativo nas próximas leituras.