O banco Goldman Sachs revisou para baixo sua projeção do câmbio após o resultado do primeiro turno: a instituição vê o dólar em torno de R$ 4,70 em três meses, ante expectativa anterior de R$ 5,20. A correção incorpora a valorização de mais de 4% do real e o que o banco descreve como surpresa do mercado com a vantagem eleitoral do senador Flávio Bolsonaro sobre o presidente Lula.

As novas metas — R$ 4,75 em seis meses e R$ 4,80 em 12 meses, com uma faixa plausível entre R$ 4,50 e R$ 4,80 — estão condicionadas à implementação de políticas fiscais que o mercado considera necessárias. O relatório lembra ainda que cortes maiores na taxa de juros reduzirão a atratividade do real e que dezembro tem efeito sazonal de saídas de capital, o que pode limitar ou reverter ganhos se anúncios decepcionarem.

O documento também destaca que a formação do Congresso, em que candidatos conservadores e de centro-direita tiveram desempenho melhor que o esperado, amplia a percepção de governabilidade favorável a um programa de ajuste. O Goldman relaciona esse cenário a ciclos eleitorais anteriores — como 2018 — quando expectativas favoráveis reduziram fortemente a cotação do dólar. Mas ressalva: tratam‑se de reações a expectativas, não garantias.

Para política e mercado, a leitura é clara: a atual valorização do real cria espaço político e econômico para exigir um plano fiscal crível. Se o futuro governo e o Congresso não conseguirem traduzir a expectativa em medidas concretas, a janela de oportunidade para ganhos cambiais pode se fechar rapidamente, elevando custos e pressão sobre a economia. Os números, portanto, falam mais de um momento de mercado do que de uma trajetória irrevogável.