O Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para o petróleo, estimando uma média de US$90 por barril do Brent no quarto trimestre, ante US$80 anteriormente, e US$83 para o WTI, acima dos US$75 prévios. Analistas do banco destacaram, em nota, riscos de alta mais persistentes devido à guerra no Oriente Médio, à escala do choque de oferta e ao aperto nos mercados de produtos refinados. O banco também considera um cenário adverso em que as exportações do Golfo demorem mais a normalizar, o que elevaria a média do Brent para pouco acima de US$100 no período.
Os números já refletem forte reação dos mercados: o Brent subiu cerca de 40% desde o início do conflito, e contratos futuros indicam valores entre US$86 e US$90 no último trimestre. O Citi também recalibró projeções, apontando um Brent em torno de US$80 para o mesmo período. Juntas, as revisões reforçam a percepção de que preços mais elevados devem permanecer por algum tempo, ampliando o custo do refino e a pressão sobre a cadeia de combustíveis.
No plano doméstico, a perspectiva de preços internacionais maiores tem implicações concretas. Ela aumenta o risco de aceleração inflacionária via combustíveis e frete, reduz espaço para afrouxamento da política monetária e agrava pressões sobre a conta de combustível do governo — seja por repasses ao preço final, seja por eventual necessidade de medidas compensatórias. Em um país dependente de derivados, esse choque exporta inflação para produtos e serviços, corroendo renda real dos consumidores.
Politicamente, a persistência de preços elevados complica a narrativa de controle de custos e responsabilidade fiscal. A administração terá menor margem para manobras sem impacto orçamentário, e eventuais repasses aos preços domésticos podem gerar insatisfação popular e cobrança por respostas. Em suma, além do efeito imediato no mercado de energia, as projeções do Goldman Sachs apontam para um choque com desdobramentos econômicos e políticos que exigirão ajuste nas estratégias de política pública.