O banco americano Goldman Sachs reiterou nesta semana sua preferência pelo mercado acionário brasileiro dentro da América Latina, mantendo recomendação 'overweight' para o país. A equipe de estratégia destacou que o Ibovespa acumulou forte alta no início do ano, impulsionada pela entrada de investidores estrangeiros, mas devolveu boa parte dos ganhos desde abril.

Na avaliação do banco, as ações brasileiras negociam hoje a cerca de 8 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses (P/L futuro). Esse múltiplo, afirmam os estrategistas, torna o mercado atraente tanto em comparação com as taxas de juros de longo prazo quanto com os padrões observados em anteriores ciclos de queda de juros.

Os analistas alertam, porém, para uma maior volatilidade no segundo semestre com a aproximação das eleições de outubro. A recente alta do setor de energia em função do choque internacional de preços do petróleo beneficiou exportadoras, mas a reversão desses fluxos e a perspectiva de um ciclo de afrouxamento monetário mais curto reduziram o fôlego do rali: o mercado hoje precifica quase nenhuma redução da taxa nos próximos 12 meses.

No curto prazo, o Goldman Sachs recomenda exposição a empresas domésticas cíclicas de qualidade — bancos com perfil defensivo, utilities, telecoms, incorporadoras voltadas à baixa renda e varejo considerado barato. Regionalmente, o banco mantém posição neutra para México e Colômbia. O recado é claro: há oportunidade nos preços, mas o conjunto de riscos políticos e de juros complica a narrativa de recuperação e exige cautela por parte de investidores e formuladores de política econômica.