O Ministério da Fazenda divulgou alerta após identificar um portal fraudulento que se passa pelo programa Desenrola 2.0 e exige o pagamento de uma suposta “taxa administrativa” para limpar o nome do consumidor. O site falso pede o CPF, reproduz o visual oficial e lista descontos de até 96% antes de apresentar um QR Code ou código Pix para cobrança de R$ 92,80.
Empresas de cibersegurança detectaram que a página imita fontes, cores e até notas oficiais para conferir verossimilhança. O golpe usa chat e campos de “verificação de elegibilidade” para coletar dados sensíveis. A prática se apoia na grande base de inadimplentes: o Mapa da Inadimplência da Serasa indica 82,2 milhões de nomes negativados, um mercado vasto para criminosos.
Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para a combinação de engenharia social e programação neurolinguística: mensagens com senso de urgência e promessa de solução rápida induzem vítimas ao erro. Paulo Cesar Costa, da PH3A, lembra que a nova edição do programa não é um produto exclusivamente online e recomenda buscar as instituições financeiras para renegociação. A Febraban registra quase 12 milhões de tentativas de golpe em 2025.
Além do prejuízo individual, a operação representa risco político e institucional: golpes que se aproveitam de programas públicos acendem alerta sobre a comunicação oficial e a necessidade de coordenação com bancos e empresas de segurança. A Fazenda já esclareceu que não há cobrança para participar do Novo Desenrola Brasil; resta à administração reforçar canais oficiais e educar o público para reduzir espaço de ação dos fraudadores.