A imprensa iraniana informou que o acesso ao mecanismo de busca do Google foi restabelecido nesta quinta-feira, depois de 48 dias de interrupção ampla da internet. O retorno é parcial: embora a busca esteja disponível em conexões fixas e móveis para muitos usuários, serviços como o Gmail permanecem inacessíveis e a conectividade segue oscilante em várias regiões.

Organizações de monitoramento e veículos locais relatam que o corte ocorreu desde o início do confronto envolvendo o Irã, enquanto o regime intensificou medidas de controle. Apenas titulares de 'white SIM cards' — linhas especiais destinadas a funcionários, jornalistas estatais e apoiadores — e usuários com acesso a VPNs pagas mantiveram comunicação contínua durante o blackout.

O grupo NetBlocks classificou o bloqueio como sem precedentes em escala e severidade, e estimou um impacto econômico de cerca de US$ 1,8 bilhão. A interrupção prolongada prejudica comércio eletrônico, serviços digitais, empresas que dependem de conectividade e limites de operação de setores essenciais, além de transferir custos diretos para consumidores e empresas locais.

Além do prejuízo imediato, o episódio acende alerta sobre o custo político e institucional da censura digital: favorece uma camada seletiva de usuários, amplia desigualdades no acesso à informação e cria um ambiente de insegurança jurídica e operacional para negócios. A retomada parcial não elimina o risco de novas restrições, e deixa em aberto o cálculo entre controle político e prejuízo econômico.