O Ministério da Fazenda manteve a projeção de custo fiscal das ações para conter a alta dos combustíveis em aproximadamente R$ 40 bilhões mesmo após abrir, na última sexta-feira (9), um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões. Segundo a pasta, esse valor já está incorporado à estimativa e não representa custo adicional ao montante divulgado.
Do crédito liberado, R$ 6,17 bilhões (82%) foram destinados à subvenção econômica para produção e importação de óleo diesel rodoviário; os R$ 1,35 bilhão restantes financiam subsídios a outros derivados. Em paralelo, o governo anunciou medidas de redução de preços que somam R$ 5,2 bilhões nos próximos 30 dias: zerar tributos federais sobre a gasolina (impacto de R$ 2,8 bi), ampliar a subvenção ao etanol para R$ 0,43/litro (custo de R$ 800 mi por mês) e criar subvenção de R$ 1,40/litro ao diesel importado (R$ 1,6 bi no período).
A equipe econômica sustenta que as ações serão compensadas pelas receitas extraordinárias com a alta do petróleo, estimadas em R$ 67,5 bilhões para 2026 — cálculo que inclui imposto de exportação, venda de óleo e royalties. A dependência desses ingressos, porém, coloca a política pública em terreno volátil: se as receitas não se confirmarem, haverá pressão sobre a meta fiscal e necessidade de contingenciamentos adicionais.
O ministro do Planejamento já sinalizou que custos serão avaliados no relatório bimestral e que o governo recorrerá ao contingenciamento — hoje em R$ 13,6 bilhões — para preservar a meta. A estratégia reduz o efeito imediato sobre o consumidor, mas acende alerta sobre a sustentabilidade fiscal e complica a narrativa oficial de neutralidade orçamentária diante da incerteza das receitas com petróleo.