O governo comunicou a liberação de R$ 2,3 bilhões para fortalecer a infraestrutura de inteligência artificial, distribuindo recursos entre projetos com empresas chinesas e um edital voltado a fornecedores estrangeiros. Do total, R$ 1,3 bilhão vão financiar um centro de supercomputação no Rio de Janeiro, em parceria com a Huawei e a iFlytek; cerca de R$ 1 bilhão bancará um supercomputador a ser instalado no Rio Grande do Norte.

Segundo o Executivo, a estrutura do RJ será usada para treinar modelos de linguagem de uso geral e aplicações setoriais, e há a expectativa de que a máquina contratada por meio do edital figure entre as dez mais potentes do mundo. Integrantes do governo ouvidos sob anonimato apontam a Nvidia como favorita na disputa; a ministra da pasta responsável já manifestou esse receio publicamente. Oficialmente, o governo diz evitar dependência de um único fornecedor.

A operação mistura objetivos tecnológicos e cálculo político. Financiar capacidades locais é argumento legítimo de soberania digital, mas a divisão entre parceiros chineses e um edital com fornecedores americanos expõe o risco de dependência externa por dois caminhos distintos. Além disso, os recursos virão do FNDCT e exigem acompanhamento rigoroso sobre custos, prazos e cláusulas que garantam controle de dados e manutenção operativa sem amarras comerciais excessivas.

O Executivo prevê que o supercomputador contratado esteja em operação até o fim do próximo ano e que a infraestrutura em parceria com as chinesas comece a funcionar em julho. O pacote inclui ainda iniciativa em chips com arquitetura RISC‑V, nuvem pública por PPP e um centro de transparência algorítmica vinculado à UFMG. Resta saber se essas ações virão acompanhadas de governança, auditoria e cronogramas claros para evitar que o anúncio vire promessa sem entrega.