Há exatamente uma semana, em São Paulo, o Ministério da Fazenda apresentou a secretários estaduais uma proposta conjunta para subvenção do diesel importado. Desde então, o governo central tem tentado transformar sinais positivos em adesão unânime: o Comsefaz relatou mais de 80% de respostas favoráveis, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que mais de 90% dos governadores sinalizaram positivamente, com Rio e Rondônia sem resposta.

A medida provisória, já redigida, prevê uma subvenção de R$1,20 por litro do diesel importado, com o custo dividido meio a meio entre União e estados. A publicação da MP foi adiada porque o presidente está fora de Brasília; o Planalto condiciona a edição à volta de Lula à capital, o que empurra o calendário para a semana seguinte.

Geraldo Alckmin afirmou que mais de 90% dos governadores sinalizaram adesão, com Rio e Rondônia sem resposta.

Do ponto de vista fiscal e político, o desenho impõe pressão dupla: os governadores arcam com metade do subsídio e podem sofrer cobrança por aumento de despesas sem fonte clara. Para a União, a operação representa esforço adicional de controle da inflação dos combustíveis num momento de aperto orçamentário. A expectativa oficial de adesão total contrasta com o risco concreto de implementação fragmentada, que pode gerar distorções regionais e confusão no mercado.

Questões locais complicam a negociação. O Rio de Janeiro, citado entre os ausentes, vive um vácuo de governança após a renúncia do chefe do Executivo estadual, o que limita interlocução e posterga decisões. O próprio governo admite que o programa pode começar com alguns estados fora da subvenção e contar com adesões posteriores, estratégia que reduz o efeito imediato sobre preços mas preserva a via política para alcançar consenso.

No cenário político, o adiamento e as hesitações expõem fragilidade do pacto federativo: a busca por unanimidade já não é apenas técnica, é também custo político para mandatários estaduais. O governo insiste na urgência para mitigar a alta do combustível, mas terá de detalhar custos totais, critérios de elegibilidade e mecanismos de transição para evitar perda de eficácia e desgaste adicional entre União e entes federados.

O secretário-executivo Rogério Ceron disse que o governo está muito próximo de obter 100% de adesão.