O governo federal optou por reduzir despesas previdenciárias para abrir espaço no Orçamento e bancar o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista no CEO Fórum nesta sexta (18). A estratégia, segundo o Palácio, será detalhada em 24 de setembro, quando o Executivo vai indicar especificamente quais rubricas da Previdência serão remanejadas.

O aumento começa a valer em outubro: o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777. O impacto projetado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22,7 bilhões em 2027. A equipe econômica já vinha informando que o espaço para o reajuste deste ano viria principalmente de sobras da Previdência — efeito reforçado, nas palavras do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, pela queda na fila de pagamentos do INSS.

A decisão evita, por ora, pedido explícito de maior gasto público: o governo diz que não haverá aumento global de despesas e que a medida é um remanejamento interno. Ainda assim, a opção expõe tensões fiscais e políticas. Para 2027, quando o impacto é maior, será necessário ajustar a peça orçamentária enviada ao Congresso, o que amplia pressão sobre a negociação parlamentar e complica a narrativa oficial de manutenção da trajetória fiscal.

A apresentação marcada para 24 de setembro será o teste político e técnico da operação: o Executivo terá de mostrar de onde exatamente virá o espaço fiscal e como isso afetará benefícios, programas ou despesas administrativas. A medida resolve a necessidade de curto prazo, mas acende alerta sobre as prioridades do Orçamento e coloca em xeque a folga fiscal para 2027 — com possíveis custos políticos caso cortes atinjam áreas sensíveis ou provoquem resistências no Congresso.