O governo federal estima que as propostas em tramitação no Congresso — classificadas pela equipe econômica como "pautas-bombas" — somam um impacto fiscal médio de R$ 111 bilhões por ano. A conta combina renúncias de receita e despesas obrigatórias e reúne propostas que, segundo o Executivo, podem comprometer a trajetória fiscal e as metas orçamentárias.
Entre os itens considerados, a renegociação de dívidas rurais, aprovada pelo Senado sem acordo com o Palácio, foi estimada em R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos. A elevação do teto do Simples Nacional aparece como renúncia de cerca de R$ 50 bilhões anuais. A PEC que amplia o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a PEC 5/2023, sobre imunidade tributária de templos, têm custo mínimo projetado em R$ 10 bilhões por ano cada uma.
A equipe da Fazenda adverte que as médias anuais pressupõem distribuição uniforme dos custos, sem atualização monetária, o que pode subestimar o impacto em exercícios específicos. A combinação de renúncias e maiores despesas previdenciárias ou de equalização de taxas de juros, no entendimento do governo, cria folga reduzida no espaço fiscal e limita a capacidade de investimento e ajuste.
No plano político, o levantamento aumenta a pressão sobre o Planalto e sobre a articulação com o Congresso. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com o presidente do Senado para tratar do tema, sinalizando tentativa de frear avanços sem compensações. Se aprovadas sem contrapartidas, as medidas podem forçar cortes, rever prioridades e custar apoio político ao governo.