O governo federal estuda a criação de uma linha de crédito, operacionalizada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para financiar a renovação da frota de táxis. A proposta, anunciada pelo ministro Luiz Marinho em reunião com dirigentes sindicais, prevê juros baixos e prazos alongados — medidas vendidas como essencial para modernizar um setor estimado em cerca de 600 mil profissionais.

Representantes da categoria e deputados do PT dizem que a liberação pode ocorrer em maio; segundo o vice-presidente do sindicato em Niterói, a prioridade será primeiro uma linha para caminhoneiros e, em seguida, para taxistas. O modelo remete a operações anteriores de financiamento via FAT e, em muitos casos, execução por meio do BNDES, que já atuou em programas similares até 2022.

A iniciativa aponta para ganhos potenciais em segurança e eficiência no transporte, mas levanta questões fiscais e operacionais. O FAT é financiado por contribuições do PIS/Pasep e tem funções sociais centrais, como o custeio do seguro‑desemprego e do abono salarial. Redirecionar recursos para crédito pode pressionar outras políticas do fundo e exige critérios claros de elegibilidade e impacto sobre a sustentabilidade financeira do programa.

Fontes governamentais dizem que detalhes ainda estão em discussão no MDIC e no Ministério do Trabalho. Politicamente, a medida funciona como resposta a demandas setoriais, mas acende alerta sobre trade-offs: o benefício imediato para taxistas pode enfrentar resistência caso gere custos fiscais ou aparente prioridade por linhas de crédito em detrimento de programas de proteção social.