O advogado e especialista em negociação internacional Antonio Carlos Rodrigues do Amaral afirmou, em entrevista ao programa WW na sexta‑feira (17), que o governo brasileiro agiu com ineficácia diante da imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos a produtos do Brasil. Para Amaral, o Planalto não construiu condições reais de diálogo com Washington, o que reduz a margem de manobra para uma resposta coordenada e eficaz.
O especialista descreveu um cenário difícil para retomar conversas produtivas: a combinação entre uma condução desfocada do governo e um momento de tensão nas relações cria um ambiente comparável ao clima de instabilidade que segue uma disputa apertada — quando reabrir o jogo é mais complexo. Nesse quadro, a capacidade negociadora se enfraquece e a recuperação de confiança entre as partes demanda tempo e estratégia clara.
Amaral também apontou um componente político que agrava a situação: segundo ele, existe dentro do governo um preconceito público em relação aos Estados Unidos, que dificulta a retomada do diálogo. Além disso, o especialista destacou a intensa pressão do setor privado sobre o governo, que influenciou a decisão de evitar a aplicação imediata de regras de reciprocidade. O recuo, na avaliação dele, evita escalada imediata, mas não elimina a vulnerabilidade dos setores afetados.
Do ponto de vista político e econômico, o episódio acende alerta sobre a coordenação da política externa comercial do Brasil e amplia desgaste sobre a estratégia do governo. A falta de um roteiro claro para negociações e a evidência de pressões internas expõem empresas e cadeias exportadoras a riscos e cobram do Planalto uma resposta mais articulada — tanto para recuperar diálogo com parceiros como para reduzir o custo real sobre produtores e empregos.