O Ministério de Minas e Energia informou que, atendendo a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá submeter ao CNPE nos próximos 15 dias uma resolução para avaliar o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A proposta surge menos de um ano depois da adoção do patamar de 30%, aprovada pelo conselho em 24 de junho de 2025 e em vigor desde 1º de agosto.

Segundo o ministro Alexandre Silveira, o incremento de dois pontos percentuais reduziria a necessidade de importação de gasolina em 450 milhões de litros e poderia apontar caminho à autossuficiência, além de mitigar impactos externos, como os choques de oferta decorrentes de conflitos internacionais. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) reforçou a avaliação otimista: Evandro Gussi disse que o país deixou de gastar 8 bilhões de reais com importação de gasolina no período recente e que a diferença de preço entre etanol e gasolina resultou em economia de cerca de 2 bilhões para o consumidor em razão da guerra.

O setor produtivo argumenta ainda que o etanol custa, em média, 2,40 reais menos por litro que a gasolina e que a mistura de 32% já foi testada quando o nível subiu para 30. Do ponto de vista governamental, a medida tem dupla justificativa técnica e política: reduzir exposição a preços internacionais e avançar na agenda de descarbonização. Mas as projeções de economia e autossuficiência dependem de variáveis operacionais e de mercado — oferta de etanol, logística regional e reação dos preços ao consumidor — que precisam ser verificadas com dados e cronogramas claros.

A tramitação no CNPE abrirá espaço para debate entre governo, produtores e distribuidores. Em termos econômicos, o ganho anunciado é direto sobre a conta de importação, mas o impacto final no bolso do consumidor e na cadeia do setor sucroalcooleiro exigirá acompanhamento técnico. Para além do anúncio, a medida terá que vencer resistências logísticas e regulatórias, e sua eficácia será medida pelo comportamento dos preços na bomba e pela capacidade da indústria de atender o aumento de demanda por etanol anidro.