O Grupo GPA registrou prejuízo de R$ 220 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 142 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (4) e mostra que a empresa segue com resultado negativo, embora a direção ressalte sinais de melhora operacional.

Em entrevista ao CNN Money, o CEO Alexandre Santoro afirmou que a comparação ano a ano foi distorcida por um efeito extraordinário registrado em 2025. Segundo ele, ao excluir esse crédito atípico, o grupo passa de um prejuízo de R$ 360 milhões para outro de R$ 240 milhões. Santoro também informou que a recuperação extrajudicial, homologada em outubro, ainda não teve impacto sobre o resultado do trimestre e que uma captação de R$ 200 milhões e troca de dívida estão previstas até dezembro.

Ano passado teve um crédito extemporâneo, foi algo atípico que aconteceu e que fez a gente ter lucro na época. Quando você tira esse efeito extraordinário, que não é recorrente, e compara ano contra ano, a gente sai de um prejuízo de 360 milhões para um prejuízo ainda de 240 milhões

A receita caiu 6,5% no trimestre, afirma a companhia — não quase 10%, como chegou a circular. Do total, cinco pontos percentuais refletem decisões estratégicas para interromper operações com margens negativas ou muito baixas; as vendas em mesmas lojas recuaram 1,5%. Santoro atribuiu parte do recuo ao cenário macro e às instabilidades com fornecedores durante a renegociação de dívidas, que provocaram rupturas no abastecimento das unidades.

Apesar da retração na receita, o GPA registrou avanço de 17% no Ebitda na comparação anual, resultado de controle de custos, melhora das margens comerciais e fechamento de negócios menos rentáveis. Entre as medidas para recuperar vendas e participação de mercado estão testes de reposicionamento da marca Extra no Rio de Janeiro e ações de fortalecimento do Pão de Açúcar em São Paulo, com foco em atendimento, hortifruti e formação técnica das equipes.