A Motiva comunicou ao mercado que o Grupo Mover notificou a companhia sobre a intenção de vender a totalidade de sua participação, equivalente a 14,86% do capital social, depois de receber uma oferta vinculante do Bradesco BBI. O fato relevante foi protocolado na CVM e não traz valores envolvidos; a empresa afirma que a notificação ocorreu na sexta-feira após o fechamento do pregão.

Pela regra do acordo de acionistas, os demais integrantes do bloco de controle — Soares Penido, Itaúsa e Votorantim — têm 30 dias para exercer o direito de preferência. Se o bloco optar por igualar a oferta, mantém o atual desenho de poder; se não, a entrada de um novo sócio pode alterar distribuição de poder e o direcionamento estratégico da operadora de concessões de mobilidade.

A operação coloca pressão sobre o bloco de controle para mobilizar recursos ou rever prioridades. Para o mercado, trata-se de um teste de coesão entre os controladores e de capacidade de resposta financeira sem recorrer a diluição. Para a Motiva, uma mudança acionária pode influenciar decisões sobre novos projetos, renegociações de contratos de concessão e governança corporativa.

O episódio ressalta a importância da transparência no processo e a necessidade de acionistas e reguladores acompanharem o desdobramento. Como maior operadora de mobilidade do país, qualquer alteração relevante em seu controle terá efeitos sobre investidores e sobre o setor de infraestrutura urbana; o prazo de 30 dias será determinante para o rumo da operação.