O Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, pediu recuperação judicial nesta terça-feira. Em comunicado à CVM, a companhia afirmou que negociações com credores não foram suficientes para conter o aumento do endividamento, que se agravou num cenário de condições macroeconômicas desfavoráveis ao varejo de móveis e decoração.
A petição foi autorizada pelo conselho de administração e ajuizada perante a Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, em processo que corre em segredo de justiça. A empresa justificou a medida pela necessidade de ações imediatas para proteger a liquidez e garantir a continuidade das operações enquanto busca reestruturar sua estrutura de capital.
O grupo citou fatores como juros ainda elevados e maior endividamento das famílias como elementos que comprimiram receita e pressionaram fluxos de caixa. Especialistas ouvidos no setor avaliam que o movimento expõe vulnerabilidades do segmento de móveis, altamente sensível a crédito e consumo discricionário, e pode levar a renegociações duras com fornecedores e instituições financeiras.
Para o mercado, a recuperação judicial é um ponto de inflexão: preserva, em tese, a operação enquanto abre espaço para um plano de reestruturação, mas também sinaliza risco elevado aos credores e incerteza operacional no curto prazo. O desfecho dependerá da capacidade do Grupo Toky de obter adesão dos credores e de ajustar custos sem comprometer entregas e serviços aos clientes.