A União Europeia revelou pacote de medidas de emergência após calcular um gasto adicional de €24 bilhões — cerca de US$ 28 bilhões — nas importações de energia desde o início da guerra no Irã. A conta, segundo Bruxelas, reflete preços mais altos pagos pelo bloco apesar de não haver aumento real no volume importado, e levanta novo alerta sobre a dependência europeia de combustíveis fósseis estrangeiros.
Entre as propostas está a criação de um organismo paneuropeu para monitorar e coordenar eventuais faltas de combustível de aviação e gasóleo, além de mecanismos para partilha de suprimentos e liberações de reservas. A Comissão também propõe suspensão temporária de impostos sobre aviação, vales de energia e cortes tributários na eletricidade como forma de reduzir o repasse imediato aos consumidores e setores mais expostos.
O setor aéreo e o turismo já sentem o efeito: a ACI Europe e a Agência Internacional de Energia alertam para risco de escassez de querosene, e a Lufthansa anunciou corte de 20.000 voos até outubro para economizar combustível que dobrou de preço desde o início do conflito. Na indústria, aumentos generalizados — com empresas como a BASF reajustando preços em até 30% em produtos químicos — pressionam custos de produção e elevam a inflação de insumos.
Há também impacto direto em rendas e empregos: pescadores deixaram de sair à pesca por inviabilidade econômica, e Bruxelas acionou um mecanismo para apoiar financeiramente o setor. Do ponto de vista fiscal e político, a lista de medidas amplia o custo para os cofres públicos e complica agendas de recuperação: a necessidade de apoio emergencial e cortes tributários pode frear esforços por responsabilidade fiscal e manter a pressão sobre preços ao consumidor.