A escalada do conflito envolvendo o Irã já começa a traduzir-se em risco concreto para a aviação comercial. Países da Europa e da Ásia, que dependem em grande parte da importação de combustível de aviação, enfrentam a possibilidade de escassez enquanto o fechamento do Estreito de Ormuz interrompe fluxos logísticos essenciais.
O efeito mais imediato será econômico: aumento dos custos de operação e repasse para o consumidor. O combustível é o segundo maior gasto das companhias aéreas, atrás apenas da folha de pagamento. As quatro maiores aéreas dos EUA gastaram, em média, perto de US$ 100 milhões por dia com combustível no ano passado; desde o início do conflito esses custos já subiram de forma acentuada, levando empresas como a United a reduzir sua malha — cerca de 5% nos próximos meses — e a Delta a estimar bilhões a mais em despesas com combustível.
A exposição regional explica diferenças no impacto. Os EUA são grande produtor e exportador de combustível e, por isso, correm menos risco imediato de racionamento; ainda assim, as companhias americanas sentem a pressão do preço e cortam voos menos lucrativos. Já Europa e Ásia dependem do querosene transportado por navio: mais de 20% desse combustível passou pelo Estreito de Ormuz no ano passado, com duas em cada três cargas apontadas para a Europa. Além disso, grande parte do refino está concentrada na Ásia, mas o petróleo usado ali vem do Oriente Médio, o que cria um efeito em cadeia.
A dinâmica sugere que não haverá alívio rápido mesmo se o estreito reabrir: as entregas retidas e a retomada da produção levam semanas ou meses. A Associação Internacional de Transporte Aéreo e consultorias do setor já relatam medidas de emergência, como restrição a exportações e reprogramações. Para governos e atores do setor, o desafio é político e logístico: é preciso preservar cadeias de abastecimento, mitigar impacto tarifário sobre consumidores e ajustar políticas de conectividade aérea sem sacrificar sustentabilidade financeira das empresas.