O FMI classifica a guerra no Oriente Médio como um choque significativo para um corredor econômico estratégico, que amplia incertezas sobre o crescimento global. Em análise divulgada após a atualização das perspectivas regionais, o Fundo condiciona a recuperação à manutenção do cessar‑fogo e à restauração de estabilidade nas rotas comerciais e nos mercados de energia.
No cenário de referência, que assume redução gradual das interrupções a partir de meados de 2026 e preço médio do petróleo em cerca de US$ 82 por barril, o crescimento global deve cair para 3,1% em 2026 e subir apenas para 3,3% em 2027 — patamares inferiores à média de 3,7% entre 2000 e 2019. O FMI adverte que, em um cenário adverso com petróleo a US$ 110/barril, o PIB mundial pode crescer apenas 2,6% e a inflação global saltar para 5,4%.
A diretoria do Fundo, representada por Jihad Azour e Kristalina Georgieva, sublinha que a duração do conflito e a resiliência das economias regionais serão determinantes para os efeitos finais. Georgieva recomendou a adoção de medidas que contenham a demanda como parte do pacote de resposta para combater a pressão sobre os preços de energia, e alertou para efeitos distribuídos da transformação tecnológica, com vencedores e perdedores.
Para governos e formuladores de política econômica, o diagnóstico do FMI tem implicações claras: maior volatilidade dos preços de energia tende a pressionar inflação e custos fiscais, exigindo calibragem de política monetária, reservas e disciplina orçamentária. A combinação de incerteza elevada e cenários piores reforça a necessidade de medidas prudentes e planejamento para proteger investimentos e renda dos cidadãos.