A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já começa a provocar efeitos econômicos que complicam a narrativa do Federal Reserve. Em março, Jerome Powell avaliou que os impactos sobre os preços seriam provavelmente temporários e ainda admitiu a possibilidade de cortes nas taxas neste ano. Quase dez semanas depois, isso deixou de ser consenso.

Na última reunião de política monetária, três dirigentes — citadas como Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari — registraram divergências explícitas contra a chamada “tendência de flexibilização”. Especialistas consultados apontam que a oposição pode ser mais ampla entre os 19 integrantes do comitê, o que torna a sinalização do Fed menos clara e aumenta o risco de juros permanecerem altos por mais tempo.

O choque vai além do petróleo: interrupções em fertilizantes, hélio e alumínio pressionam custos industriais e obrigam empresas a reconfigurar cadeias de suprimentos. O Índice de Pressão da Cadeia de Suprimentos Global do Fed de Nova York saltou de 0,68 em março para 1,82 em abril, o nível mais alto desde 2022. Pesquisas do ISM registram empresas adotando compras antecipadas e diversificação para mitigar riscos.

Do ponto de vista político e econômico, o cenário complica a estratégia do Fed. Expectativas de inflação já estão acima da meta de 2% e, se se desancorarem, tendem a tornar a autoridade monetária mais agressiva. Para mercados, empresas e famílias, a consequência prática é maior probabilidade de manutenção de taxas elevadas — com impacto no custo do crédito, no investimento e no crescimento.