A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado estimou que o choque no preço do barril de petróleo desencadeado pela guerra no Irã pode elevar o IPCA de 2026 entre 0,7 e 1,0 ponto percentual. No cenário de normalização, o relatório projeta o IPCA em 4,5% ao fim de 2026; num quadro de persistência o índice iria a 4,9%. Para referência, o Banco Central persegue meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, e o IPCA de 2025 fechou em 4,26%.

Os efeitos descritos são diretos — pela alta da gasolina — e indiretos, via aumento do diesel e disseminação dos custos ao longo da cadeia produtiva. A IFI traduz a relação histórica entre Brent e preços domésticos: uma alta de 10% no preço do barril tende a adicionar cerca de 0,2 ponto ao IPCA, embora essa relação dependa do grau de repasse e de medidas de estabilização adotadas.

O estudo diferencia dois cenários: um de dissipação gradual do choque, seguindo a curva futura negociada na ICE; e outro em que o Brent, após curto prazo, cresce 2% ao ano, configurando pressão mais persistente — hipótese associada a danos estruturais na infraestrutura energética. Paradoxalmente, a elevação do preço do petróleo também tende a aumentar a arrecadação federal no curto prazo, por meio de maiores recolhimentos sobre exploração e do efeito inflacionário sobre a base tributária.

Do ponto de vista fiscal e político, o relatório acende alerta: há ganho temporário de receita e alívio no resultado primário em 2026 e 2027, mas também vêm custos de assistência e subvenções (já somando R$ 14,3 bilhões até aqui). A proposta de compensação via imposto de exportação — com estimativa superior a R$ 30 bilhões neste ano — limita o espaço de manobra. Em suma, o choque complica a narrativa oficial ao criar um trade-off entre conter a inflação, preservar a meta do BC e usar a margem fiscal criada pela alta do petróleo.