A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira a Sondagem Industrial que revela forte pressão sobre os custos de produção: o índice de evolução do preço médio das matérias‑primas subiu 10,8 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 para 66,1 pontos. A pesquisa ouviu 1.406 empresas — 588 pequenas, 477 médias e 341 grandes — entre 1º e 13 de abril de 2026. Trata‑se do maior patamar do índice desde o segundo trimestre de 2022, quando a economia global ainda se recuperava dos choques da pandemia.
A alta dos insumos tem repercussão direta nas condições financeiras das empresas: o índice que mede essa avaliação caiu de 50,1 pontos no 4º trimestre de 2025 para 47,2 no 1º trimestre de 2026. A satisfação com o lucro operacional também recuou 2,6 pontos, para 41,9 — o menor nível desde o segundo trimestre de 2020. O acesso ao crédito segue particularmente difícil, com o indicador caindo de 40,9 para 39,0, a pior marca em três anos e muito abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando restrição sustentada de financiamento para o setor produtivo.
A CNI associa o choque de custos ao conflito no Oriente Médio, que elevou preços do petróleo e de outros insumos relevantes, e destaca a combinação com juros altos como fator a apertar o caixa das empresas. Ao mesmo tempo, a elevada carga tributária continua no topo da lista de entraves: 34,8% dos entrevistados apontaram os tributos como principal problema, embora esse percentual tenha recuado 6,3 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. A produção e a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) registraram resultados melhores em março, e as expectativas melhoraram em abril para quase todos os indicadores, exceto emprego.
O saldo da sondagem mostra uma indústria que vê recuperação da demanda, compras de insumos e crescimento das exportações, mas que mantém prudência sobre investimentos e postos de trabalho. A intenção de investimento caiu pelo quarto mês consecutivo, de 54,8 para 53,7 pontos em abril, sinal de que o setor adia projetos diante da incerteza externa e do custo do capital. Para o governo e para o Banco Central, os números acendem um alerta: a combinação de choque de oferta externo, juros elevados e crédito restrito complica a estratégia para sustentar a retomada industrial sem importar inflação mais persistente e maior custo político.