Uma pesquisa da Reuters com 50 economistas mostra que a economia chinesa acelerou ligeiramente no primeiro trimestre, com previsão mediana de crescimento do PIB de 4,8% em relação ao ano anterior, ante 4,5% no trimestre anterior. Apesar do avanço recente, o levantamento indica expectativa de desaceleração ao longo de 2026, com projeção de 4,7% para o segundo trimestre e 4,6% para o ano.

Analistas ouvidos pela Reuters destacam que a guerra no Oriente Médio aumenta a incerteza e eleva persistente­­mente os preços do petróleo, o que já vem puxando para cima os custos dos insumos e comprimindo margens das empresas. Os preços ao produtor na China voltaram a subir em março, pela primeira vez em mais de três anos, e há expectativa de arrefecimento nas exportações no mês que vem — fatores que somam pressão sobre a dinâmica de crescimento.

Em nota citada pela pesquisa, especialistas do Morgan Stanley apontam que preços mais altos do petróleo afetam a China via choque nos termos de troca e redução das margens no downstream, embora o banco ressalte que o país esteja relativamente melhor posicionado do que outros importadores líquidos. Ainda assim, a combinação de demanda interna fraca e custos externos elevados torna mais complexa a missão de manter a atividade no ritmo desejado.

O governo divulgará os dados oficiais do PIB do 1º trimestre e indicadores de atividade de março na semana. Para exportadores e mercados globais, um crescimento chinês abaixo do esperado pode reduzir a demanda por commodities e pesar sobre países dependentes de vendas externas. No plano doméstico, a leitura reforça necessidade de medidas cirúrgicas de política econômica para sustentar empresas e consumo sem abrir mão da disciplina fiscal.