Os mercados já incorporaram prêmio de risco com o Brent rondando US$88 por barril: a cotação subiu em torno de 4,6% em um dia e acumulou ganho semanal perto de 16%, reflexo direto da escalada entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz. A retomada de ataques contra instalações que abrigam forças americanas e ativos do Golfo fez ceder a expectativa de distensão e reacendeu o temor por interrupções nas rotas marítimas por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.

O conflito deixou de ser apenas um choque sobre petróleo bruto. Ataques atingiram campos, refinarias e, mais recentemente, unidades que integram geração elétrica e estações de dessalinização — infraestruturas responsáveis por boa parte da água potável em países como Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita. Quando energia e água ficam vulneráveis, o impacto ultrapassa o setor de energia e pode comprometer hospitais, indústrias e serviços urbanos, elevando custos e gerando consequências sociais imediatas.

Ao mesmo tempo, a guerra entre Rússia e Ucrânia fermenta outra fonte de aperto: ataques a refinarias e medidas de Moscou reduziram fortemente as exportações de diesel. Dados de mercado apontam recuos expressivos nos embarques russos, e o prêmio do diesel sobre o Brent chegou a níveis recordes, sinalizando que há escassez de produto refinado — não apenas de petróleo bruto. Essa diferença é relevante porque combustível pronto para uso não é facilmente substituído por óleo cru, o que pressiona preços regionais e os custos logísticos.

Para o Brasil a combinação é direta e adversa. Importadores já disputaram parte significativa das cargas russas disponíveis, e a competição por fontes alternativas deve encarecer o diesel importado. Como o diesel alimenta transporte de cargas, máquinas agrícolas e ônibus, uma alta persistente se traduz rápido em fretes, preço dos alimentos e tarifa de serviços urbanos. A resposta necessária passa por diversificação de fornecedores, estoques estratégicos, melhor utilização do parque de refino nacional e expansão responsável do biodiesel — medidas que reduzem vulnerabilidade, mas que exigem coordenação entre governo e setor privado para mitigar o custo imediato à economia.